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Mostrando postagens de março, 2026

Inferno

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  Toda trajetória de autoconhecimento parece seguir uma coreografia inevitável. Olhando para trás, é possível perceber que o ponto de partida foi o silêncio — aquela Calmaria que, no início, parecia paz, mas que aos poucos se revelou como uma estática perigosa. Era o estado de quem observa o horizonte sem se mover, esperando que o mundo dite as regras do jogo. Naquele momento, a falta de movimento não era equilíbrio; era a inércia de quem ainda não tinha sido testado pelo peso da própria existência. ​Dessa inércia, nasceu a necessidade de reação. O mapa foi aberto e os Objetivos foram traçados com a urgência de quem acaba de despertar. Foi a fase da estratégia, do desenho das metas e da tentativa de antecipar cada movimento do tabuleiro. Ali, a força era mental, projetada para um futuro que ainda parecia sob controle, desde que o plano fosse seguido à risca. Mas o papel aceita tudo; a realidade, por outro lado, exige um tributo mais alto. ​É aqui que o cenário muda. Saímos do p...

Equilíbrio Perdido: Entre a Proteção Necessária e o Abismo das Relações

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  Se a gente olhar o que foi aprovado agora no Senado e o que saiu no Jornal Nacional, o cenário é de uma insegurança jurídica absurda. A nova legislação sobre a misoginia (PL 896/2023) equipara o ódio ou aversão às mulheres ao crime de racismo, o que na prática torna essa conduta inafiançável e imprescritível. Se a lei servisse estritamente para punir a violência real e o ódio patológico, seria um avanço indiscutível. O problema é que o texto aprovado, no seu Art. 20-C, obriga o juiz a considerar como discriminatória qualquer atitude que cause "constrangimento, humilhação, vergonha ou medo". O detalhe é que esses sentimentos são subjetivos e, segundo a lei, o critério é se esse tratamento "usualmente não se dispensaria a outros grupos". Quando a linha entre o crime e uma simples discussão de casal se torna elástica desse jeito, o resultado é um isolamento social cada vez maior, onde o homem prefere o silêncio ao risco de pegar de 2 a 5 anos de reclusão.   Ninguém i...